ACERVO CAFÉ: brutalmente aconchegante
- há 14 horas
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No meio do cerrado tinha uma cidade e no fim da Asa Norte tinha um café.
E ainda tem. A cidade e o café (para nossa alegria).
Como muitos lugares em Brasília, a primeira sensação é a dúvida se está ou não no endereço certo. Muitas siglas, organizando a cidade e bagunçando os sentidos.
No cantinho de trás do bloco da ponta, a porta branca de concreto e os vidros do teto ao chão já revelam: você não está em qualquer lugar, chegou a uma ilha. Um ponto que se difere do entorno, um pedaço quase fantasioso em meio ao concreto realista da cidade planejada.
Não se assuste. Você não entrou por acaso em uma galeria de arte com gente metida. Apesar da frieza do ambiente, seu coração vai se acalentar. O aconchego vem pelo cheiro do café, embrenhado no acervo de histórias do lugar, incorporadas por quem ali trabalha.
Onde esperamos frieza, a gentileza borbulha quente. Ah, bruta flor (do cafeeé é)!
O som ambiente te faz amolecer, mesmo com a estética modernista em sua concretude de linhas rígidas e retas. A agonia da espera (um pouco longa) se aquieta pelos aromas, sons e conversas do ambiente. Entre um minuto e outro, escutamos com entusiasmo sobre o nascimento daquele memória-lugar. E, a cada trecho narrado, o coração se acalenta contrastando com a fria mesa de mármore, que agora era suporte para a comida e bebida que acabavam de pousar.
Tudo impecavelmente delicioso! Pedimos o bolo de chocolate com café, que consegue misturar a fofura de uma avó com a engenhosidade matemática das técnicas gastronômicas. Doce na medida, molhadinho na medida.

A torta amanteigada de queijos foi simplesmente um absurdo de texturas e sabores, digna de renomear o nome da “massa podre” para “massa espetacular”.
No que diz respeito ao café em si, vocês vão me perdoar, mas, depois que comecei a trabalhar em um órgão público, comecei a me acostumar com o gosto de café ruim (e o pior: estou gostando (!!!) mas, não conta pra ninguém).

Na teoria, eu sei que é era excelente café, tinha os cheiros de um excelente café e visualmente percebemos que se tratava de um excelente café. Mas, pessoalmente falando, senti falta daquele coado quentinho da garrafa: o simples que cumpre a missão de aquecer por dentro (e talvez atacar uma gastrite).

Em resumo, o Acervo Café é o que diz.
Está em seu nome, carrega sua história e proporciona pequenos momentos de prazer e alegria que ficam no acervo de nossa memória. O encontro entre a frieza estética e o calor humano é surpreendente.
O café reflete o potencial da cidade.
Ambos parecem frios, mas só até nos escancararmos (de estômago aberto) para aquilo que NÃO esperamos.
Tem muito bruto-aconchego em Brasília.
P.S.: ir ao banheiro desse café é uma experiência à parte (digna de uma crônica própria).



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