As 10 tendências globais de bem-estar para 2026, segundo o Global Wellness Summit
- Jamila Gontijo
- há 5 horas
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Atualizado: há 1 hora
Longevidade feminina, neurowellness e a valorização do espaço doméstico são algumas das tendências que o relatório revela para este mercado que chegou a U$ 7 trilhões em 2025

(Jamila Gontijo, editora do Brasília News)
O bem-estar consolidou-se como uma das forças mais relevantes da economia global e, ao mesmo tempo, como um campo estratégico de políticas públicas, planejamento urbano, saúde e cultura. Essa é a principal conclusão do relatório “Global Wellness Trends 2026”, divulgado pelo Global Wellness Summit, organização internacional que reúne especialistas, pesquisadores e líderes do setor em mais de 50 países.
O documento identifica dez tendências centrais que ajudam a compreender como indivíduos, empresas e governos estão redefinindo o conceito de bem-estar — não mais restrito a estética, consumo ou performance, mas cada vez mais ligado à saúde integral, à longevidade e à capacidade de viver melhor em um mundo marcado por crises ambientais, sociais e emocionais.
A seguir, resumimos os principais pontos do relatório:
1. A longevidade feminina ganha protagonismo
Pela primeira vez, o relatório aponta a saúde e a longevidade das mulheres como um eixo estruturante do mercado de bem-estar. O foco está em soluções pensadas para diferentes fases da vida feminina — da saúde hormonal, passando pela menopausa até o envelhecimento ativo — rompendo com abordagens genéricas que historicamente ignoraram especificidades do corpo feminino.
2. Menos obsessão por métricas, mais experiência humana
O Global Wellness Summit identifica um movimento claro de rejeição ao excesso de monitoramento, métricas e biohacks. Em 2026, o bem-estar tende a valorizar mais a experiência subjetiva, o prazer, o descanso e a conexão humana do que a performance automatizada.
3. Neurowellness entra no mainstream
A regulação do sistema nervoso surge como uma das grandes fronteiras da saúde contemporânea. Técnicas voltadas à redução do estresse crônico, da ansiedade e da exaustão mental deixam de ser alternativas e passam a integrar programas de saúde, ambientes corporativos e políticas de bem-estar.
4. O olfato como linguagem emocional
O relatório destaca o crescimento do uso de fragrâncias e estímulos sensoriais como ferramentas de regulação emocional. O chamado fragrance layering transforma aromas em instrumentos de bem-estar, memória e identidade emocional. Mais uma tendência que comprova que o mercado está em busca de experiências corporais.
5. “Ready is the new well”: bem-estar em tempos de crise
O conceito de bem-estar passa a incluir a capacidade de preparação para crises — climáticas, sociais e emocionais. Saúde deixa de ser apenas autocuidado e passa a envolver resiliência coletiva, planejamento e adaptação.
6. Longevidade da pele como indicador de saúde
A pele deixa de ser tratada apenas como estética e passa a ser compreendida como um órgão central para a saúde integral. O cuidado com a pele se conecta à prevenção, à longevidade e ao equilíbrio do organismo.
7. A celebração do bem-estar
Eventos de bem-estar ganham novos formatos, combinando movimento, arte, música, espiritualidade e conexão social. A experiência coletiva surge como antídoto para o isolamento e o individualismo. Esses festivais deixam de lado as bebidas alcóolicas e os excessos para focar em alimentação funcional, equilibrada e saudável.
8. A ascensão do esporte feminino
O relatório aponta o crescimento do investimento em esportes femininos como um fenômeno que articula saúde, empoderamento, identidade e economia do bem-estar. O corpo feminino passa a ser visto como potência, não como objeto de desejo para a satisfação do olhar masculino.
9. Microplásticos como ameaça real à saúde
A presença de microplásticos no corpo humano deixa de ser apenas uma preocupação ambiental e entra definitivamente no debate sobre saúde pública, alimentação e qualidade de vida.
10. A casa como espaço de longevidade
Por fim, o relatório aponta a transformação das residências em espaços de prevenção e cuidado. Arquitetura, design e tecnologia passam a dialogar diretamente com saúde, envelhecimento ativo e bem-estar cotidiano.
Um novo paradigma de qualidade de vida
O relatório do Global Wellness Summit indica uma mudança profunda de mentalidade: o bem-estar do futuro será mais preventivo e mais integrado à vida real, distanciando-se da busca por uma perfomance perfeita ou de intervenções pós-humanas.
Para países como o Brasil, os dados oferecem pistas valiosas sobre políticas públicas, desenvolvimento urbano, saúde mental e novos modelos de negócio voltados à qualidade de vida.
O mercado global de bem-estar: trilhões de dólares e crescimento contínuo
De acordo com o Global Wellness Institute, que monitora o segmento, a economia global do bem-estar alcançou US$ 6,8 trilhões em 2024, um novo recorde mundial, e dobrou de tamanho desde 2013 — o que demonstra a força e a resiliência desse setor, que cresce mais rápido do que a economia global.
Entre 2013 e 2024, a economia do bem-estar cresceu, em média, 6,5% ao ano, quase o dobro do crescimento do PIB mundial (3,2%) nesse mesmo período. Isso significa que bem-estar está se expandindo mais rápido que outros segmentos econômicos globais. Em 2024, o setor representou cerca de 6,12% do PIB mundial, consolidando-se como um componente significativo da economia global.
Setores que mais cresceram desde 2019
Todos os 11 setores que compõem a economia do bem-estar já ultrapassaram os níveis de 2019 (pré-pandemia). Destaque especial para:
Imóveis de bem-estar, com crescimento médio anual de 19,5%,
Bem-estar mental, que cresceu 12,4% ao ano.
A previsão da Global Wellness Institute aponta que a economia do bem-estar deve continuar a expandir-se por pelo menos cinco anos, com crescimento anual projetado de 7,6%, alcançando quase US$ 9,8 trilhões em 2029 — muito acima da previsão de crescimento do PIB global.
As economias de América do Norte, Oriente Médio-Norte da África e Europa lideraram a recuperação mais rápida e forte após a pandemia, consolidando-se como os mercados de bem-estar mais dinâmicos no contexto global.
Essas estatísticas e fatos mostram que o bem-estar deixou de ser um nicho para se tornar uma das principais forças da economia global contemporânea — com impacto direto em saúde pública, desenvolvimento urbano, alimentação, tecnologia, longevidade e qualidade de vida. enta claras oportunidades de investimentos e políticas públicas orientadas ao futuro
📌 Fonte: Global Wellness Summit – Global Wellness Trends 2026 e informações do Global Wellness Institute.





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