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O descanso que o corpo sonha em ter

Atualizado: 12 de nov. de 2025

Entre encontros, silêncios e aprendizados, uma lembrança sobre o que realmente significa parar e se permitir cuidar de si.


Foto: Ravena Dantas na Casa Adhara, em agosto de 2025
Foto: Ravena Dantas na Casa Adhara, em agosto de 2025

(Andrea Hughes, de Crônicas de uma Yoguini)


Cláudia Porto fez minha aula de yoga pela primeira vez na Casa Adhara há alguns meses. No final da prática, veio conversar comigo. Disse que tinha sido uma experiência mágica, contou que também era professora de yoga e se emocionou. Nos abraçamos.


Ela continuou frequentando minhas aulas e, com o tempo, fui descobrindo mais sobre ela, Cláudia é especialista em Yoga Nidra e em Yoga para Crianças e Pessoas com Deficiência. Um dia, me convidou para uma sessão de Yoga Nidra no estúdio dela.


Fomos eu e minha irmã Alexia. Chegando lá, encontrei também uma aluna querida da Casa Adhara, que tinha levado seu avô. A experiência foi fantástica. Saí de lá decidida a trabalhar com a Cláudia. Desde então, seguimos trocando: almoços, conversas, histórias e silêncios compartilhados.


Em um desses encontros, ela me contou uma cena que nunca esqueci. Durante uma de suas aulas de yoga para crianças, um dos alunos estava muito nervoso porque a turma não parava de conversar. Ele começou a gritar, pedindo que todos se calassem para ouvir a professora. Cláudia se aproximou, ficou bem pertinho dele e disse baixinho: "Não deixe que nada roube a sua paz". Depois fechou os olhos, colocou as mãos em prece em frente ao peito, e ele fez o mesmo. Aos poucos, as crianças perceberam o silêncio dos dois e foram se aquietando também.


Quando a aula terminou, a monitora contou à Cláudia que o cachorro desse aluno havia morrido naquele mesmo dia. Os pais o levaram à escola, mas tiveram que buscá-lo de volta porque ele não parava de chorar. Mesmo assim, ele pediu para ir à aula de yoga, que acontecia fora do horário escolar.


Fiquei pensando muito nessa história e em como aquela frase vai ecoar pela vida inteira dessa criança. Naquele mesmo dia, no fim da minha aula, me veio à mente a voz de um antigo professor querido, Ronald Lyrio, repetindo uma frase que me marcou profundamente: "Está tudo no lugar. Tudo em seu devido lugar". Mesmo quando parece que o mundo está de cabeça para baixo ou do avesso, ainda assim, está tudo no lugar.

Muita gente nunca ouviu falar em Yoga Nidra. É uma técnica de relaxamento guiado, uma espécie de meditação deitada. A pessoa se acomoda, fecha os olhos e é conduzida por uma voz que leva a atenção por diferentes partes do corpo, imagens e sensações. É um mergulho entre o sono e a consciência, o corpo relaxa profundamente, enquanto a mente permanece desperta e serena. É simples, não exige esforço, como um botão de “desligar” que todos nós deveríamos aprender a usar. Enquanto o corpo descansa, a mente desacelera, como quem chega devagar em casa depois de um dia longo. Quando termina, é como acordar de um sonho bom. Dizem que meia hora de Yoga Nidra equivale a horas de sono. Eu gosto de pensar que é mais do que isso, que é o corpo lembrando como é ser cuidado.

Nos tempos de hoje, praticar Yoga Nidra é um verdadeiro desafio. Vivemos cercados de telas, informações e cobranças, para produzir mais, ganhar mais e dar conta de tudo. Yoga Nidra é o convite oposto, a chance de aquietar. De não deixar que o barulho do mundo roube a nossa paz e de perceber, com o coração tranquilo, que sim, está tudo no lugar.


Se essa leitura te lembrou da importância de pausar, vem sentir isso na prática.


Yoga Nidra com Claudia Porto e Andrea Hughes

Sábado 15 de novembro de 2025 de 16h às 17h30

Altiplano Leste – Cond. Privê Morada Sul, Etapa C, Conj. 12, Casa 04

Valor: R$ 40 / Classificação livre

Inscrições por pix: yogacomafeto1@gmail.com

Envie o comprovante para: (61) 99171-0050


Acompanhe em @yogacomafeto

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